22 agosto, 2008

O Pedinte. ** Homo Androídes II **


Bem, Essa semana foi bem interessante... Estava como sempre pensativo, e viajando em umas “paradas” (não uso drogas). Voltando da cansativa aula de inglês para meus “queridos” alunos, resolvi abrir um presente que ganhei de uma doce menina na terceira série. Era um chaveiro em formato de coração o qual tinha escrito a palavra LOVE. Detalhe de pelúcia. Admirei o presente por alguns segundos e o guardei com a mesma frieza que tive ao receber. Dei um abraço quase que seco na menina com um sorriso tímido e ficando todo errado com aquela situação completamente nova para mim. Era véspera de meu aniversário. Os alunos via Orkut e através de um comentário feito na minha primeira semana de aula, lembraram desta data simbólica. Cantaram parabéns me deram abraços coletivos e me parabenizaram. Isso me deixou feliz, mas não deixei essa felicidade aflorar, ainda tinha que dar aula, embora tenha sido legal tal recepção. Voltando para casa, adentra um pedinte no coletivo. Fato comum, mas pra mim me fez pensar mais do que na aula de Anahy. Ele deixou um bilhetinho na mão de cada um dos passageiros que dizia aquelas “lorotas” do tipo, eu não assalto, estou pedindo por que minha mãe está desempregada, e meu pai morreu etc. Enfiei a mão no bolso, tive pena ao ler o papel. Na verdade não pena, mas geralmente ajudo pessoas nesta situação. Peguei o troco da passagem adicionado a uns centavos. Quando olhei pra cara do pedinte soltei as moedas. Ele já tinha barba, tinha condições perfeitas para trabalhar. A mãe dele já devia ter mais de 60 visto que ele já tinha mais que 30 e tantos. Pensei comigo, ele pode trabalhar perfeitamente. Ninguém o ajudou e ele desceu do ônibus com a mesma cara que subiu. Depois pensei ninguém o ajudou. Esses centavos poderiam ajudar, ou talvez ele compraria cana ou drogas. Um “anjinho” falava que eu devia ajudar, o “diabinho” me parabenizou. Voltei a pensar no chaveiro até que reparei com um contador de homicídios no estado. Veio-me a cabeça aquele cara. Já que ele não conseguiu pedindo poderia começar a roubar e até matar um pai de família para conseguir o que ansiava, Dinheiro. Pensei no meu pai que poderia ser uma suposta vítima e tive remorso. Como se a culpa fosse minha do rapaz está ali (mas a culpa é em parte minha), e se pudesse voltava o tempo e dava o trocado, mesmo sem saber se num futuro ele ia comprar cana ou ajudar a família. Não importava mais. Só pensava naqueles números do contador, que banalizam a morte. Que a deixam comum. E que nos tornam cada vez mais animais. Ou melhor, cada vez mais robôs, pois animais não se matam banalmente. E animais não têm raciocínio lógico. Se bem que cada vez menos acredito que os homens também possuam isso. O que somos? O que seremos?. Sem resposta. Essa foi uma viagem “filosófica” do dia 19, véspera do meu aniversário.

Pensei em colocar Homo Andróides II, mas preferi colocar O pedinte.

Espero que gostem. Essa semana tem mais.

2 comentários:

juca disse...

caraca meu velho
eu sempre fico na duvida de ajudar ou não...
.. num sei nem o q fazer...

como sempre, um belo texto
muito bom, abs
julio melo

Palavra de Mulher disse...

Concordo que somos culpados [em parte] pela situação em que algumas pessoas se encontram. Comumente encontro-me nesse dilema "ajudar ou não? eis a questão". Mas sabe..costumo brincar que vou deixar de estudar para pedir grana na rua..pensa comigo: considerando que o cara ganhe R$3,00/hora..
~3X8(considerando 8h de 'trabalho')=24
~24 X 5('trabalhando' cinco dias na semana) = 120
~120 X 4 (número de semanas que há num mês) = 480

Pois é..R$480,00..fazendo os cálculos POR BAIXO, já que em 1h se consegue muito mais que três reais..o cara ainda trabalha menos que você e é autônomo!

Sempre penso nisso na hora de dar alguns centavos a alguém..

Só 'ajudo' quando sou obrigada [leia-se impostos - 'ajuda' um bando de safado empaletozado..]

Beijos!