23 outubro, 2011

Papelzinho Rosa!

Um dia roubei um livro, velho de uma biblioteca escolar, que infelizmente não é utilizada. Um livro de literatura. Na época isso nem me fascinava. Roubei porque já era professor de literatura e de alguma forma precisava aprender pra poder ensinar. Alguns devem perguntar como não gosto do literário sendo quase formado em letras. Era simples, não tinha um professor interessante de literatura, e nunca fui um bom aluno. Nem mesmo na faculdade. Felizmente tiveram trabalhos ou os professores simplesmente iam com a minha cara. Que coisa coisa boa eu pensava. Na verdade eu me iludia. Há beleza nos livros, nas histórias e hoje admiro ainda mais a forma de pensar de alguém que escreve. Não porque hoje escrevo, até porque já escrevia, porém pela beleza oculta nas palavras que para cada pessoa tem um significado especial. O fato é que roubei um livro. Demorei a tatear, a folhear, e a estudar. Tomei coragem um dia. Ao abrir, um boletim escolar. Um aluno bom em humanas e péssimo em exatas. Até aí nada fora do normal. Achei um papelzinho com um telefone, ainda havia 7 números. O nome da pessoa não estava lá. E no meio do romantismo, o capítulo é claro eis que surge um papelzinho rosa, dobrado ao meio e tímido. Tiro com uma atenção especial. Talvez pela cor chocante do rosa. Não que me atraia, mas que de alguma forma era diferente de um boletim ou de um papel que vieram juntos da mesma cor, a branca. O pedaço de folha A4 rosa, era mais ou menos um sexto da folha. Um palmo de comprimento por três míseros dedos largura, altura ou sei lá. Não aprendi matemática muito bem, exatamente igual ao menino do boletim. Abro com curiosidade aquela folha rosada que desperta de alguma forma minha curiosidade. Uma caligrafia típica de menina, bem miúda, arredondada e com traços de patricinha. A maioria das patricinhas que conheço tem uma letra parecida com essa. Vejo um pequeno rodapé e descubro que a autora se chamava Anna. Com 2 enes. No rodapé uma frase de amor, na verdade uma jura deste sentimento. Agora sim, diferente do boletim e do número telefônico, me interesso. E então começo a ler um texto simples que talvez não estivesse em “Romantismo” por acaso. Era exatamente assim (Não vou corrigir um texto tão belo):


“Aonde está você agora? Eu queria neste instante mergulhar em seus braços e abraços... Sentir o seu calor, pois só ele consegue me aquecer, e me faz esquecer que estou só, sem você. Aonde está seu corpo, pois o meu necessita de sua fragância, Queria e Quero sentir sua respiração, seu desejo, quero seus beijos para acalmar meu coração que pulsa forte, ao acreditar que você vai chegar. Vejo-o em meus pensamentos, sinto-o em minha ansiedade, choro sua ausência, sofro com esta terrível saudade, e só me resta uma pergunta: Aonde está você agora?


Eu sempre vou te amar por toda a eternidade!!!

Anna”


Ao ler o texto, me indaguei duas coisas. Será que ela realmente o amou pra toda a eternidade? Será que esse cara é real? De qualquer forma espero que a Anna não tenha quebrado a cara. Porque as pessoas que escrevem textos deste tipo, sem outras palavras, amam verdadeiramente. Espero que ela não tenha inventado mais amores, do tipo Cazuza quando diz que “o nosso amor a gente inventa”. Amores criados são legais, mas não chegam aos pés dos amores platônicos. Esses talvez por serem mais puros e inatingíveis, sejam mais amor. Procuro um novo amor platônico, enquanto não vem, vou criando.


26 agosto, 2011

Introduções ao amor..Parte 1

Era uma vez não. Isso realmente me aconteceu. Não me lembro exatamente e tão pouco com palavras exatas o ocorrido. Era muito guri,pirralho, moleque. Na época que era feliz, mesmo parecendo um autista diferente das outras crianças super agitadas daquele meu colégio. O ano era 1998, estava na terceira série (ou quarto ano como dizem hoje). Foi a primeira ideia que tive de relacionamento ou de amor, mesmo que de uma forma deturpada e totalmente incompreendida por um ser da minha idade naquele momento. Lembro me que parecia um dia normal, e realmente era. Nada naqueles dias fugia a uma realidade distante ou que comprometesse o curso da minha vida. Estava comendo as coxinhas caseiras que minha mãe me fazia de lanche para levar para a escola. De repente Marília se aproxima. Marília era a menina mais bonita da sala. Eu não a via assim. Aliás não pensava nisso nem de longe. Ela era simpática e sorridente. Sentou se ao meu lado e perguntou como quem quer alguma coisa se eu tava bem. Respondi que sim e ela retrucou que gostaria de falar comigo uma coisa séria lá em baixo e que não podia ser na frente da professora. Temi que tivesse feito alguma coisa mesmo assim disse que quando a visse lá em baixo eu falaria com ela. Ela saiu com um sorriso no rosto e foi pra perto de Renata. As duas cochicharam e eu inocentemente continuei a comer as deliciosas coxinhas. Horas depois o sinal toca. Desço e avisto Marília. Ela ri e olha se não tem ninguém perto. Não entendo, tampouco pergunto, apenas aguardo. Ela diz: “Renata mandou perguntar se tu quer namorar com ela, sendo que ela tá com vergonha.”. Um pequeno ser indefeso e despreparado fica agora chocado. Meus olhos que sempre foram tão miúdos arregalaram de uma forma que ela riu. Ela perguntou se eu tava bem e me explicou que só tinha eu e Felipe de bonito na nossa sala e que Felipe era muito tabacudo e Renata gostava de mim porque eu era mais sério e menos “menino” que os outros. Eu na realidade era o mais menino o mais ingênuo, mas o menino que elas tinham em mente era mais a ideia de centrado e menos bagunceiro que os outros. Naquela época (como as coisas mudaram) as palavras que ela utilizou foram mais ou menos essas. Não houveram gírias e nem malícia nas palavras ditas por Marília. Além disso houve um desconserto e uma resposta completamente ignóbil de minha parte. Eu disse que precisava pensar. Ela disse que tudo bem e que dissesse a ela mesma amanhã (Era quinta, traria a resposta na sexta e só veria minha nova futura namorada na segunda) já que Renata só viria segunda (acho que por vergonha tadinha!). Fui pra casa. Em vez de ir chutando pedrinhas como sempre fazia me dirigi em silêncio esboçando um sorriso e ao mesmo tempo erguendo as sobrancelhas pensativo.

18 agosto, 2011

Anderson Bomba e Violência!


Hoje estou vestindo preto. Hoje as pessoas da faculdade estão vestindo preto. Eu até gosto de roupas pretas. Elas tem uma elegância ímpar. Aleatoriamente, abri meu guarda-roupas e peguei uma camisa. Era preta, com o nome da cidade de Budapeste. Saí e fui dar aula. Dia estressante e numa discussão quase peço demissão. Acho justo discutir educação com aluno, mas aquela conversa que entrou em política e em sistema, tava alterando o meu humor que já não estava tão feliz, depois de dar uma senhora bronca na sétima série. Passada a raiva e a vontade de pedir demissão vim para casa. Como de costume, desabafei com meus pais que me deram compreensão e até passaram a mão na minha cabeça dizendo: bote pra fuder. Geralmente sou paciente e até pareço presunçoso e arrogante. Não gosto de discutir com pessoas que gritam, e nem que não tem o menor domínio do assunto que falam. Levei a discussão porque acredito na educação. Pelo menos ainda acredito. Depois da conversa com meus pais, venho eu ao computador. Ao entrar no facebook, uma notícia me choca mais do que o comum. A morte de um colega de faculdade, o sempre brincalhão e alegre Anderson Bomba. Eu conhecia este rapaz apenas de vista, conversas boêmias, dúvidas sobre DA e festas em Flavinha. Ele fazia matemática e era mais próximo do meu grande amigo de infância Josemir Carvalho. Talvez a morte dele não fizesse tão mal, porém um dia conheci a história deste verdadeiro guerreiro. Se resume brevemente em ser abandonado ainda criança na avenida Paulista, vir pra Recife de alguma forma, vender pulseirinha e chapéu de time em estádios, passar em matemática num vestibular e trabalhar dignamente de cobrador de coletivos para ganhar a vida. Reagindo a um assalto, foi baleado e acaba falecendo. Se pensarmos friamente em educação agora, poderemos deduzir que Anderson, poderia ter se tornado um dos caras que atirou nele. Felizmente ele escolheu estudar. Infelizmente outro preferiu roubar. Não acredito muito em justiça divina e também acredito que esse cara no meio da marginalidade não vá durar muito tempo. Talvez o bandido criado pelo sistema dure um pouco mais do que o nosso guerreiro. Mas sua hora há de vir. Não consigo ter ódio do bandido. Odeio o sistema que criamos, que vez ou outra pune inocentes, através dos monstros que ele próprio cria. Volto hoje ao colégio mais uma vez de preto. Depois de ter ido na terça à faculdade de preto, não só eu, mas quase todos os que o conheciam. E se na simbologia da nossa sociedade o preto é a cor do luto, Bomba merece essa mínima homenagem. Talvez o mínimo que eu ainda posso fazer pelo sistema, seja convencer alguns alunos meus de que estudar ainda é o melhor caminho. Ou talvez a nossa única salvação. Obrigado pelo exemplo Bomba. Descanse em paz mais uma vez!

16 agosto, 2011

Lição de Pai!


Dia 14 de agosto de 2011, Segundo domingo de agosto. Dia dos pais. Data especial. Aprendizado do dia, pelo meu maior ídolo. Tinha me programado pra dar aula, substituir um amigo meu no Prevupe que iria fazer uma prova. Quando aceitei não tinha refletido que era dia dos pais. Mas aceitei. Depois que tinha feito a merda pensei: Porra e meu pai. Fui perguntar a ele, ainda havia muito tempo para voltar atrás e não me sujar com o meu amigo. O dinheiro é bom, mas meu pai sempre será mais. Porém ele me disse uma coisa quando eu perguntei se ele se importava: “Vai ganhar teu dinheiro, tu tás liso e depois nós jantamos juntos.” Eu vi que ele não brincava e certamente não ficaria chateado se eu fosse. Ele ainda frisou: “Fora que tu já aceitou o convite, fica feio voltar atrás”. Isso já serviria de lição pra uma mensagem de dia dos pais mas o meu herói, não parou por aí. Hoje, dia 14, fui dar a aula e por sorte, larguei mais cedo. Chego em casa, louco, correndo, ainda torcendo pra que ele se animasse pra almoçar fora, como numa surpresa seria bem legal. Quando abro a porta, a dose do seu Red Label já está servida num copo enquanto ele corta um pedaço de linguiça de frango. Observa-me entrar e antes que eu fale qualquer coisa ele pergunta: “Visse o que fizeram no meu lado do carro?” Respondi negativamente tentando me livrar da bolsa pesada e já com olho na linguiça. Ele falou que tava destruído. Eu perguntei se ele bateu em alguma coisa. E ele respondeu: “ Bateram em mim.” O carro já está vendido. Ele vai ter um belo prejuízo. Mas ele sorri enquanto fala e completa o pensamento: “Prejuízo da porra.”. Eu fico triste ainda sem ver a batida. Ele me explica o ocorrido. Penso alto e digo, poxa e fudeu meus planos para o meu aniversário, ele revoltado com minha exclamação diz: “Quem disse? Sábado está confirmadíssimo. Aqui em casa, seus tios, alguns amigos se quiser chamar. Não sei se vamos sair, mas festa vai ter.”

O carro já era, talvez pizza com os amigos broche, mas meu pai me ensinou uma coisa. Festa é festa. E não devemos reclamar mais da vida, a menos que seja entre segunda e sexta-feira. Feliz dia dos pais meu velho!

24 julho, 2011

Besteiras do FB!

Isso foi uma conversa de loucos no Facebook. Uma quarta pessoa sugeriu que isso fosse postado num blog e assim o fiz. Parabéns a nós autores, Davi Dias, Gilberto Alves e Aline Livre!

DD: E nessa caminho de dúvidas vou em busca da felicidade sabendo que não vou achar,mas com a certeza de que vou amadurecer o suficiente para olhar no passado e ver as pequenas coisas que me deram o sabor de ser feliz, mesmo que por tão pouco tempo.

AL: Estou em busca dessas pequenas coisas que dão o sabor da *felicidade*(momentos).

DD: Você já as têm, mas tem os planos e a coisa toda do futuro que não nos deixa ver o que é bom o bastante. Humana. É da nossa natureza buscar mais, desejar mais. E arrepender-se no final.

AL: Buscar mais, desejar mais. E arrepender-se no final. Não buscar, não desejar. E arrepender-se no final. (Natureza Humana).

DD: E eu que não vou ficar velho resmungando. Vou rir das bobagens, aproveitar as futilidades, pegar na mão do meu amigo, usar e abusar da família, amar, fazer amor. Por que depois, a pergunta que nos resta é: O que sobrou?

GA: E quando errar ou tentar perde o sentido? e quando você se sente tão fraco e tão frágil e que as doces futilidades da vida já perderam a graça? Quando já não acreditas no amor ou nas pessoas? Quando o certo não é mais tão certo e o errado não parece ser aquilo que tenta ser?

DD: Dor, dúvida, perdas. Ninguém está imune. Mas há muito o que se fazer neste ponto. Você pode se entregar, adoecer, desacreditar, desacreditar-se. Ou você pode continuar, com a dor que seja. Somos vulneráveis ao sofrimento (e não há loucura em dizer que ele é necessário) mas também temos a cura: esperança, coragem, fé, escolha um. Ou, como disse antes, você pode se entregar e antecipar o arrependimento.

GA: E quando não se há fé? E quando a coragem não é o bastante?! Isso é muito complexo..Mas vou vivendo!


25 junho, 2011

Estágio para 2012 Parte 2

Quase uma hora de espera depois, chega o bendito 433 – Brasilit. Começam a subir as pessoas. E não paravam de subir. Uma lata de sardinha tem mais espaço, aliás me lembrava uma lata de atum. Juro que nunca vi um Brasilit parecer um Barro/ Macaxeira. Vejo um amigo que gentilmente segura minha bolsa. Ele e eu conversamos e cedo o meu celular para uma senhora que deseja se comunicar com seus filhos. Tentei várias vezes me comunicar com diversas pessoas e nada. Não é que ela consegui e de primeira?! Mais pessoas sobem no ônibus e me pergunto como. Engarrafamento, muito grande. Demoramos cerca de 30 minutos pra passar do Derby até o Extra da Benfica. A água da do rio havia transbordado e saia pelos boeiros. Mais desespero das pessoas que estavam nas ruas. Mais risadas internas. Aquele definitivamente não era o meu dia. De pé, uma pessoa escuta funk do meu lado obviamente sem o fone. Outra escuta brega, mas brega tipo Sheldon e outra de gosto sexual duvidoso escuta Britney Spears enquanto ri pra mim. Pior é que nem fazer cara feia eu conseguia mais. Por um milagre consigo entrar em contato com alguém (Patrícia Rossiter), e informo o que ela já sabia: Não haveria aula! Meu amigo desce e gentilmente cede o lugar para mim. Sento e começo a escrever esta crônica que vocês leem. Reflito sobre a desgraça e o desespero humano, chego a cogitar e depois rir da possibilidade da Represa ter mesmo rompido, sangrado, explodido ou qualquer coisa. Penso em meus pais, minha irmã, na gata, nos meus amigos e até nos meus alunos os quais se o mundo acabasse realmente, não teriam vivido o suficiente ou pelo menos o que eu vivi. Desço na minha parada e a chuva volta a cair levemente. Paro pra comprar uma coxinha, mas não tinha mais. Sigo então para o meu lar. Ao abrir a porta minha mãe e meu pai. Os dois espojados no sofá. Minha mãe me dá uma bronca e pergunta porque a demora. Respondo a ela se ela soube que o Recife tava acabando e perguntei se ela não sabia. Meu pai gargalha com minha capacidade de trucidar de forma engraçada o medo da minha mãe. Explico a ela que levei quase 2 horas pra fazer um percusso que faço no máximo em 40 minutos. Vou pro computador. Ao entrar no facebook, vi que havia um scrap de uma pessoa especial (hoje ainda mais) que me perguntava se estava bem já que não conseguiu falar comigo. Vi que por mais que o mundo possa parecer injusto, pequenas demonstrações de afeto podem fazer seu dia terrível parecer bom. Lembro de momentos como o CONEUPE do mesmo ano, onde a minha vida de militante estudantil fez sentido com a atitude de alguns estudantes que me acompanhavam. Hoje sinto a mesma coisa. Lembro do texto que diz que tudo fará sentido um dia do filme Beleza Americana. Lembro de relaxar e de não me apegar aos detalhes sórdidos da vida. A vida não é doce mas é bela. E são pessoas, momentos e lembranças boas que tornam a nossa jornada mais graciosa. Penso que se o mundo realmente acabasse, ou se Gilberto acabasse ali, alguém teria se importado. É bom saber que alguém se importa comigo. Melhor é saber disso. Posso não entender o sentido da vida, mas descubro nestes momentos que ele existe, e isso me deixa leve. Não sou perfeito, porém me torno melhor em dias como estes. E só eu sei como isso é bom.


23 maio, 2011

Estágio para 2012 Parte 1


05 de maio de 2011. Como esquecer este dia?! Para mim, ele havia começado até bem. Tinha dormido 9 horas seguidas, e se hoje durmo mais do que 6 horas, eu chego a soltar fogos. Enfim, levanto, vou no computador. Olho minhas redes sociais, checo meu e-mail, tudo com a mesma calma e lerdeza que o sono me provoca quando acordo. Saio do meu quarto e vou ao banheiro. Definitivamente devo parar de comer besteiras. Estas não gostam muito das paredes do meu estômago. Reflito no vaso. Esboço um sorriso, mas penso até em chorar. Termino meu servicinho e vou tomar meu banho. Como esquecer da água que estava mais gelada que a do bebedouro no máximo? Sorri pela primeira vez naquele dia da minha própria desgraça. Visto me, tomo café, engulo alguns pães, pego meus pertences e saio 5minutos em atraso. Porra...Esqueci meu guarda-chuva. Abre tudo de novo, entro e pego. Enquanto estou fechando a porta, sinto uma pequena coceira debaixo do braço. Quando olho era uma pequena formiga. Bato e retiro ela do meu braço não antes de ser picado. Continuo a fechar a porta e sinto novamente a coceira. Olho para minha blusa e uma, duas, três, incontáveis formigas. Pânico. Tento me livrar da minha camisa enquanto abro a porta. Olho de onde vem o formigueiro. Havia alimentado as formigas com o resto do meu biscoito na bolsa que levo lanches para escola onde trabalho. Troco de roupa e de mochila. Meu rapidamente durou 5 minutos, que agora eram de atraso. Chuva. Muita chuva. O guarda-chuva não adiantava muito. Pedro mandava chuva. Gotas do tipo elefante. Caminho para a BR 101. Água nos pés, felizmente fui de sandália. Uma rua do percusso havia alagado. Pés na água. Chego na BR. Olho para um lado e para o outro. Vejo minha parada do outro lado da margem. Sim..Falei margem. A BR tinha virado um rio. Dou meia volta. Não sei se quero nadar. Faço um balão para atravessar pela passarela do hospital das clínicas. Vejo meu busão passar de lá de cima. Mais 5 minutos, já totalizando 15 de atraso. Chego finalmente a parada e mais 15 minutos esperando um novo Barro/Macaxeira passar. Pra piorar, debaixo de chuva forte e tentando desviar dos banhos que os carros tentavam dar com as poças de água na pista. Chegou o ônibus. Dentro com janelas fechadas um calor infernal, o carro transpira. Para piorar pessoas com a feição fechada e nenhum cheiro de leite de rosas pelo menos. Parece que cheirar bem faz mal! Troca de coletivo no Terminal de Integração da Macaxeira. Empurrões. Subo noutro mais vazio e menos fedorento desta vez. Milagrosamente chego no colégio a tempo. Só tive que me organizar nas carreiras. Pega caderneta, coloca tênis e vai pra sala. Aulas. Uma turma desinteressada, outra super agitada. Pelo menos o terceiro ano tava quietinho. Chamada. Um nome que não queria ouvir. Mas nada poderia piorar meu dia, assim pensava. Engano meu. O dia só havia começado. Volta pra casa. Mais chuva, mais ônibus lotado. Mais empurrão. Em casa meu pai abre a porta com uma notícia. Pague tal conta. Com seu dinheiro. Detalhe, é que meu dinheiro já tinha ido pro saco. Peço emprestado a ele. Pago depois. Liso e agora devendo. Almoço e vou dar aula particular de inglês. Mais chuva e mais busão. Boatos sobre não haver aula na faculdade são me ditos e depois desmentidos de minuto em minuto. Começo minha aula. Tudo vai bem. Aluno focado. O telefone no silencioso no meu bolso vibra o tempo todo, porém consigo me concentrar. De repente, na metade da aula um cara engravatado e de paletó interrompe a aula e com ar de desespero diz que Tapacurá tá sangrando que ele estava liberado e tinha que ir pra conseguir chegar em casa. Meu aluno, como bom paulista me pergunta: - O que danado é Tapacurá? . Respondo da seguinte forma: - Recife é abaixo do nível do mar, e Tapacurá é uma represa que realmente estourar estaremos boiando em alguns minutos. Começo a organizar minha bolsa e quando olho novamente o aluno ele já está vestido com o paletó, coisas debaixo do braço e com a chave do carro na mão. Sorrio e me despeço. Vou andando calmamente do Hospital Português até o Derby. Chegando lá me lembrei do galo da madrugada. Tudo cheio. Ninguém respeitava sinal. Pessoas desesperadas. Crentes pregavam, católicos rezavam, “ateus” se convertiam e ateus diziam fudeu.

29 janeiro, 2011

Velhas Poesias

Adormecer ao seu perfume

Seu doce perfume a exalar suavemente
aguçando o seu rosto em minha mente
que está quase sempre a entorpecer
fazendo-me enlouquecer e adormecer
um sono tão profundo
que chego a sair do mundo
quero voltar a minha mente
porém batalho duramente
mas não consigo
o teu perfume esquecer
e tento não adormecer
para sentir o teu perfume tão doce
e como se fácil fosse
explicar o que é amor
se você não sabe o que é amar
assim gosto de dizer
ensinarei te e te amarei
Então gosto, posso e vou dizer
Simplesmente amo você!

11 julho, 2010

Pernambuquês!

Criei este texto com o objetivo de mostrar aos meus alunos de português do Brasil a riqueza cultural de minha língua, da minha região, do meu Pernambuco... Espero que gostem pois deu trabalho arretado!

Um cabra caminhava pelo meio da rua...tava aperreado, avexado, arretado e meio azuretado... Enquanto passeava um esmolé sentado no meio fio estendeu a mão pedindo algum trocado. O caba olhou dentro dos bolsos mas naquele momento ele estava liso. O esmolé disse:

- Tio..Eu tô comendo a brocha sem dinheiro, engolindo os cotôcos do pão que o diabo amassou...fome da muléstia eu tô hoje.
O tio respondeu começando uma conversa:
- Iapôis! Eu também tô liso que é a bexiga, sem um tostão no bolso...você não trabalha não?!
- Não, eu peço, mermo...deixa de ser pirangueiro...que queijo...
- Ah, você é um maloqueiro vagabundo...vá trabalhar...
- Eu não arranjo trampo...Eu sou um tabacudo, zambeta de dois cambitos, trubufu, zarolho, peguento, do cabelo pichaim que nem quenga paia, tenho uma inhaca insuportável, sou drogado...saca aqui o loló! Ainda sou pivete malamanhado, feio feito gabiru, matuto das brenhas, nasci em Pesqueira que é lá nos canfundós de Judas...
- Vôte! Para de mangar de tu mesmo. Deixa dessa gréia...
- Mas é dotô! Mas pelo menos eu não sou nenhum marreteiro, né?!
- Massa, pelo menos isso...
Do nada, uma zoada de sirenes interrompe o diálogo...Era a polícia passando com um pivete que foi preso numa zona num posto de gasolina. A delegada conhecia o tiozinho e parou a viatura pra conversar leseira também. Ela disse que o pirraia que foi apreendido, não tinha mais que catorze anos, e com um ferro de mentira tentou assaltar o local. Carlos mesmo torando o aço da bexiga, o bombeiro que era o tampa de crush, ligou pra polícia e o meliante não conseguiu se evadir do lugar.

A policial era toda arretada. Era galega mas sarará com um batom “cheguei”, com o cabelo chei de biliro, um diadema, um trancilim, não bastasse isso ainda estava de alpercata. Ela dizia pro esmole maloqueiro e pro tio enquanto se abria mangando do ladrão:
- Avalie só, tentar assaltar um posto com um cano de água fingindo que é um três oitão, é melhor assaltar com um badoque, Que abestalhado...
A policial questionou ao tio quem era o individuo maltrapilho que estava com ele. O tio disse tava indo fazer feira e que tinha acabado de conhecer o Zé explicando que era um moleque frouxo e cheio de pantim que não trabalhava e que tava pedindo... Zé se dirigiu ao moleque dizendo:
- vê só..Eu sou cafuçú, desde criança sou buliçoso e com minha peitica consegui ser lanterneiro, mexia aqui, bulia ali, as vezes dava rolo mas como um bom treloso consertava a besteira que eu fazia, no começo num gostava não, fazia a pulso mermo e hoje sou o cão chupando manga nisso. - Dizia ele fazeno mugangas. – Eu posso te convidar pra trabalhar na minha oficina, você não vai ficar podre de rico mas vai ganhar uns trocados. Tu topa?
O moleque disse:
- oxe, já é...quando começo?
O tiozinho lanterneiro disse:
- Deixa de ser agoniado...começamos amanhã...mas hoje tu pode ir arrumando teus trapos e panos de bunda que eu te pego já e te levo. Eu vou pegá o carango e fazer o balão depois volto pra te pegar, e eu te arranjo um quarto perto do oitão da minha casa, tem muriçoca que só mas é melhor que ficar nessa rodagem. Lá em casa agente para pra comer bolacha creme craque e biscoito Maria com guaraná...agora vê se num fica feito um aruá aí parado feito pombo leso, se avexe que eu tô apressado e tenho que arribar...Num fique borocochô, porque isso me irrita e eu num quero arengar com tu...
A policial se meteu e disse:
- É isso aí... já tem vagabundo que só no mundo. Aproveita essa chance e bota pra torar!
O esmolé virado num molho de coentro ficou pronto e disse:
- Muito obrigado dotô..eu tava xôxo de fome. Eu quero ser o tampa nisso...
- Mas vá com calma esse menino que você ainda é um tamborete, tu tem muito que aprender ainda...vô nessa..vou num pé e volto no outro...Meu carro ta lá perto do girador, perto do gelo baiano...bora saindo desse meio fio que eu já volto!
- Pó deixar doutor! Vou aprender a deixar as paradinhas que chegam afolosadas bem acochadinhas. Acho que não é nenhum nó cego e eu sou invocado...agora vá pegar seu carro cheio de frisos e com uma jante invocada e vamo embora que vai cair um toró da gota serena!
- É mermo, e ainda tenho que comprar macaxeira, jerimum e pão tabica...Se eu não compro a patroa fica fazendo fuxico dizeno que eu gasto com piriguetes...ainda tenho uma pelada hoje pra jogar e mostrar aos caras que eu não sou nenhum perronha...-e saiu como se estivesse com a macaca.


Gilberto Junior.

Um belo texto!

"I had always heard your entire life flashes in front of your eyes the second before you die. First of all, that one second isn't a second at all, it stretches on forever, like an ocean of time... For me, it was lying on my back at Boy Scout camp, watching falling stars... And yellow leaves, from the maple trees, that lined my street... Or my grandmother's hands, and the way her skin seemed like paper... And the first time I saw my cousin Tony's brand new Firebird... And Janie... And Janie... And... Carolyn. I guess I could be pretty pissed off about what happened to me... but it's hard to stay mad, when there's so much beauty in the world. Sometimes I feel like I'm seeing it all at once, and it's too much, my heart fills up like a balloon that's about to burst... And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain and I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life... You have no idea what I'm talking about, I'm sure. But don't worry... you will someday."

“Eu sempre ouvi que a sua vida inteira passa em frente aos seus olhos no segundo antes de morrer. Primeiramente, este segundo não é um simples segundo, ele dura a eternidade como um oceano de tempo...Para mim, era estar deitado no acampamento de escoteiros olhando estrelas cadentes, e folhas amarelas, de árvores canteiras que enfeitavam minha rua...Ou as mãos da minha avó, e a forma de como a pele dela parecia papel...E a primeira vez que eu vi o novíssimo firebird do meu primo Tony. E Janie, e Janie...e Carolyn. I penso que poderia estar realmente decepcionado com o que aconteceu comigo...mas é difícil ficar chateado quando existe tanta beleza no mundo. Algumas vezes eu sinto como se tivesse visto isso tudo de uma vez, e isso é muito. Meu coração infla como um balão que está prestes a estourar. Então eu me lembro de relaxar, e tentar parar de me apegar a isso, e então isso flui por entre mim como a chuva e eu não posso sentir nada mas gratidão...por cada momento único da minha vidinha estúpida. Vocês não têm a menor ideia sobre o que eu estou falando, eu tenho certeza. Mas não se preocupem. Vocês saberão um dia.”

Lester Burnham, Personagem interpretado por Kevin Space em American Beauty (título no Brasil: Beleza Americana!!

09 maio, 2010

Dia das mães!


Mãe

Só pelo fato de ter me aguentado durante nove meses dentro de uma barriga, já merece um troféu. Pelo fato de ter cuidado de mim enquanto eu não sabia nem falar e nem muito menos andar, ganharia várias medalhas. Pelo fato de ter me guiado, ter me ensinado o “certo” e o “errado”, merecia ainda mais prêmios. Eu só não sei quanto vale todo esse amor de mãe que foi me dado gratuitamente. Nem posso pagar também. O máximo que posso fazer é agradecer todos os dias, e em especial neste que é dedicado a profissão que considero das mais difíceis do mundo: Mãe. Venho então desejar um feliz dia das mães...Amo-te, sinta-se abraçada.

Segue um vídeo aí, se não carregar pede pra Ecila clicar no título da postagem ou no link abaixo que ele abre no Youtubiu!:

Homenagem ao dia das mães.

Tem que ver esse vídeo...!

beijos amo-te


30 abril, 2010

O mundo está girando ao contrário e ninguém reparou...

Vejo algumas notícias bizarras via Internet, percebo que cada vez mais o mundo está perdido. Não sei se porque sou um amante dos velhos costumes, mas me sinto perdido nesse mundo. São homens menos homens e mulheres mais homens...O mundo tá perdendo o encanto que tinha...Novas tecnologias substituem velhas na velocidade da luz assim como desaparecem na velocidade da luz...Olhe que sou até dependente da tecnologia, mas sinto uma falta de ver álbuns com fotografias que jamais foram vistas antes. Lembro-me bem que minha mãe dizia: “Acho que eu pisquei, tem que tirar outra”. Às vezes ela não tinha piscado e vinham duas fotos praticamente iguais. Lembro também do meu primeiro celular...Era um aparelho que pesava tanto quanto um livro best-seller capa dura...Eu estava puta feliz porque podia jogar cobrinha. Isso numa época onde ter um celular significava que você tinha boas condições. Lembro também do meu primeiro computador...Era uma versão do Windows 93, que não tinha nem menu iniciar...Lembro que meu pai estava orgulhoso por ter pago a bagatela de 150 reais para dar um up no monitor que ele tinha ganho, que não era nenhum LCD de 17 polegadas e sim uma caixa gigante de 13 polegadas e com o super update possuía cores. Recordo vagamente de testar o teclado no wordpad pois não havia windows e o mouse, este último ainda de bolinha que acumulava poeira dentro e quase do tamanho da minha mão. Tinha um joguinho de perseguir o ratinho, ainda não sonhava nem com Internet nesses dias e era bem feliz. Lembro logo após do meu segundo pc (Win 95) e do meu terceiro pc (Win95Plus). Lembro que pra instalar um Messenger tive que desinstalar meu joguinho preferido na época (Age of Empires) isso tudo porque eu só tinha 1,5 gigas de espaço interno e uma memória ram de 64 mb...Pensar que todo o meu pc cabe hoje num cartão SD do meu celular...Video-Game ?! Felizes são os que jogaram Mário no Super Nitendo. Nunca me imaginei vendo um jogo praticamente real como um Fifa no PES3. Lembro do meu primeiro mp3, tinha 128 mbites. Era super para aquela época, já hoje...Tava acessando meu e-mail da Hotmail e descobri que o tenho desde 2003. Quanto tempo se passou, quanta coisa mudou...mas tudo ainda passando e ainda tão igual. Pensando besteira talvez, mas queria compartilhar isso com vocês. Abraços vindos do Presente

19 março, 2010

Vendo velhas fotos!

O tempo passa as idéias mudam e isso me deixa um tanto feliz. Meu mais novo hobby é escutar música e olhar para o horizonte do décimo quarto andar. A vista nem é tão mais bela como no verão, e isso é apenas quando o vidro não está embaçado. Vejo fotos como nunca antes. Sorrio de lado ao ver meu sorriso verdadeiro das fotos em que era criança. Em que não me preocupava com nada e que tudo estava certo. Queria ser uma criança agora. Fazer o tempo voltar. Rir sem saber o porquê. Nunca olhei tanto fotos. Vejo com carinho todas as pessoas que marcaram minha vida de alguma forma. Tento me lembrar o porquê daqueles sorrisos. Uns forçados e outros nem tanto. Fotografias são momentos eternizados. Vejo uma magia nisso agora que não via antes. A distância nos faz enxergar o mundo de outra forma. O que não posso mais abraçar, me faz feliz nem que seja numa simples fotografia. E assim passo o tempo até aparecer uma coisa que ocupe o meu cérebro. Reflito tanto que chego a lugar nenhum... Lembro que o melhor futuro é o presente...Mas reflito que só o passado me diz quem eu sou. Quero corrigir alguns erros. Quero mudar meu futuro. Quero ser alguém melhor. Ainda sou bastante falho. Quero mudar o presente já que o passado foi marcado. Assim penso que serei feliz num futuro. Pelo menos buscarei a felicidade escondida. Devo encontrá-la em algum lugar, como em algum dos sorrisos daquelas fotos. Definitivamente preciso escutar Radiohead. Faz-me viajar mais, obviamente sem sair do lugar. Enquanto isso nessas viagens, eu me descubro. Ou melhor tento me descobrir!

22 fevereiro, 2010

O bêbo...

Era uma segunda feira, dia primeiro de fevereiro do corrente ano. Acabara de largar e me dirigia a um ponto ônibus. Ligava pro meu primo e não recebia resposta nas chamadas. Acabei decidindo a ir então para a casa de tia Gorda, com quem havia combinado poucos minutos antes. Coloco o fone de ouvido e as músicas se alternam no meu celular. Tava meio pensativo naquele dia e lembro nitidamente que escutava Radiohead. Em algum momento do trajeto, o som da música é interrompido pelo toque do celular. Era meu primo perguntando se já tinha largado, dizendo que estava saindo do McDonalds e estava indo concluir a mudança juntamente com o Anderson (Outro cara com quem moramos.) Disse então que iria os ver. Desci do busão 7 na parada seguinte. Já estava em Rive. Lentamente caminho em direção a parada de ônibus que se localiza em frente ao McDô. Fico indeciso entre comer um McChicken e ir direto pra casa mas ao olhar o painel, vi que meu ônibus passaria em instantes. Resolvi ir então pra casa sem rangar mesmo. Subo no 7. Escuto minha música e fico pensando besteira. Uma parada depois, em Metropole, o coletivo para e os passageiros descem e sobem. Sentado na última cadeira, observo um senhor, com aproximadamente seus 45 anos, cabelo estilo anos oitenta, uma jaqueta de couro, com tirinhas também em couro nas mangas que lembrava um Cowboy ou um Motoqueiro, com um violão guardado dentro de uma capa nas costas, e com uma lata de cerveja. Altamente embriagado, ficou tentando abrir a porta sem apertar o botão que faz com que ela abra pelo lado de fora. Ele procurava onde estavam os botões que abrem as portas, que nos novos TPGS ficam ao lado da porta com uma luz que fica piscando. Naquele estado talvez não tivesse enxergado. O motorista ia partir quando ele conseguiu abrir a porta para a tristeza dos passageiros sóbrios e cansados que ali se encontravam. Sentou-se ao lado de uma garotinha ruiva que temia do que um homem naquele estado fosse capaz. Disse-lhe boa noite e ela respondeu com um frio e seco boa noite. Olhou para trás e me viu sentado analisando a situação. Consegui segurar o riso, assim como a mulher que estava sentada de frente para mim. O bêbado queria conversar, chamar atenção, mas todos os ignoravam. Todos que subiam no busão passavam por ele e logo se distanciavam para evitar irritações. Insistentemente continuava a dar boa noite a quem entrava naquele bus. Uma senhora sobe no veículo, senta-se de frente pra ele. Ela era morena, alta e bonita para uma senhora de seus 40 e poucos anos. O nosso grande protagonista a diz em um francês embriagado um boa noite, que para minha surpresa é respondido com um outro boa noite seguido de um sorriso. Ele diz que hoje está frio e que não gosta desse clima. Ela confirma o que ele diz e continua dizendo que não gosta de frio, mas que já estava acostumada a viver no frio de Genebra. Ele disse que teve que se acostumar e ela diz que de onde ela vinha era a mesma coisa praticamente (Ela vinha do Kosovo se não me engano!). O bebum começara a ganhar uma conversa agradável. Ela sempre sorridente continua dando atenção e puxando assunto com o carinha. Assunto vai, assunto vem, falaram de amigos, família, saudade de casa, davam gargalhadas juntos e chegaram até a falar de cachaça. Ele disse que era bom beber e ela concordou com um sorriso sincero. A ruivinha que estava sentada ao lado do nosso nobre herói parte e ele já nem dá mais atenção àquela que queria irritar. Chega então a hora da Kosova tomar seu rumo e descer também. O bebo levanta e estica a mão para cumprimentá-la. Ela cumprimenta por um bom tempo e meio que até deu um abraço no figura lá. Ao descer fica segurando o botão que abre a porta e diz: “Allez-y! vous n’arrêtez pas de vivre et en s’amusant, la vie c’est trop courte...faites la fête...Il faut s’amuser..Bonne soirée. À la prochaîne ! »Tradução : Vamos lá...Não pare de viver e de se divertir, a vida é muito curta, faça a festa...é preciso se divertir...Bom descanso e até a próxima. O bebo agradeceu e passou o resto da viagem quieto rindo e olhando o resto da paisagem congelada naquele dia. Eu ria por dentro e refletia nas palavras sábias daquela mulher. Fiquei viajando, rindo e feliz com a lição de vida que tive naquela noite. Já dizia algum sábio e bêbado de carteirinha: “Nunca fiz amigos bebendo leite!”. Até breve.

P.S: Mas ao beber, lembre-se também do seguinte ditado: O orifício circular corrugado, localizado na parte ínfero-lombar da região glútea de um indivíduo em alto grau etílico, deixa de estar em consonância com os ditames referentes ao direito individual de propriedade. (Cu De Bêbado Não Tem Dono)


16 janeiro, 2010

"Parabéns Coroa!"


Dia 15 de janeiro de 2010. Voltando de uma aula em Nyon, comento com minha aluna de inglês, que hoje é o aniversário do meu pai. Desembarcando do carro dela e chegando a estação, sem pensar ligo para minha casa para dar os parabéns. Obviamente minha mãe que atende ao telefone e fica feliz ao ouvir a minha voz. Pergunto logo pelo meu pai, e recebo a resposta que ele ainda não tinha chegado, mas que chegaria em breve, pois iam almoçar fora. Minha angústia vem à tona. Pergunto desesperadamente e gaguejando que horas ele chegava, pois eu tinha que falar com ele. Como sempre, a imprevisibilidade de horários reinava ,e minha mãe me diz que assim que o coroa chegasse, ela me daria o toque suplicando para que eu não atendesse e assim não comeria seus créditos. Falando em créditos, disse que necessitava desligar, pois estava falando do celular, enquanto ela já estava conversando sobre outro departamento. Dentro do trem, aguardava o toque do telefone. Tirei o do bolso da calça o qual é apertado, e na hora do desespero poderia fazer de tudo, menos conseguir tirá-lo da calça. Continuei a escutar música e tentava lembrar qual era o meu toque, caso ele tocasse nos fones de ouvido. Enquanto isso na forma de como tirar onda com o coroa. Pensei dizer que ele ta fazendo 50 anos, e que isso não é o fim do mundo (na verdade ele faz 49, mas quando a pessoa faz 30, ele já diz que a pessoa fez 50!)... Pensei em cantar parabéns...Pensei em falar palavras bonitas e ensaiadas que já se escreviam em minha cabeça...Pensei tanto... E nada de o telefone tocar. Desembarquei na Gare Cornavin, fui andando para o trem. Nesse meio termo estava tão aéreo, que não sabia se ia para a Manor estudar latim com Neto, ou se ia pra casa de tia Gorda, pois se tivesse sorte com o tempo, ligaria da casa dela que é mais barato. Liguei para tia, decidi logo ir para casa. Sentei-me em um dos vários locais vagos do ônibus. Inquieto, ansioso e torcendo para dar tempo de chegar em casa, mudei de lugar sem nenhum motivo óbvio. Continuei a escutar música, estava tocando Damien Rice e depois vinha uma música de Moby. O meu celular toca. Vi o nome Mainha. Já não sabia se atendia, mas ainda racional desliguei. Retornei a ligação. Ele atende “Alô”...Naquela fração de segundos eu esqueci de todos os belos discursos que outrora existiam na minha cabeça e disse apenas “Parabéns Coroa...Felicidades”. A voz já falhava enquanto ele agradecia e eu sem pensar ainda disse “tudo de bom eu queria estar aí pra te dar um abraço, mas infelizmente não posso!” Ele continuou a agradecer enquanto ainda enérgico perguntava se ele ia sair ou se eu podia ligar mais tarde da casa de tia Gorda. Ele disse que iam almoçar fora e concluiu com a frase “peraí que tua mãe quer falar contigo. Vou passar pra ela. Abraço filho.” Até esse momento, já tinha andado um bocado no busão e também apertado o botão para descer umas 5 paradas antes. Quando minha mãe atendeu, voltei ao normal. A dopamina e a Adrenalina já tinham sido reduzidas à metade. Minha mãe queria me dizer pra eu ligar pra casa de tia Sueli mais tarde, e queria me dar o número. Não consegui digitar no meu cell o número, acabei desligando na cara dela. Retornei a ligação, mas não antes de falar um belo palavrão. Ela atende e eu digo “30. o quê mesmo?” ela repete, eu agradeço e desligo. Sentei me novamente. Reparei que tinha agido como um louco, ao notar que as pessoas me observavam. Ri e sentei. Logo uma lágrima veio molhar meu rosto. Havia voltado a pensar no meu herói, no melhor pai do mundo, no meu exemplo maior... Assim, comecei a chorar, como choro no momento dessa carta. Tudo que planejava dizer se foi em fração de segundos ao ouvir aquela voz. E pensei... Não vou ligar denovo, pois vou gastar os meus créditos para não conseguir falar nada...Então resolvi ligar o PC e fazer esta singela homenagem ao Cara. Só através do meu pai, que eu me lembro que nós somos pequenos diante dos nossos ídolos, dos nossos heróis... E na sua história de luta é que eu me inspiro, embora ainda não seja tão grande o quanto és. Pai, te amo muito. Não esquece disso. E saiba que quero te orgulhar um dia, pelo menos metade do que você me orgulha, pois assim eu já sei quanto é grande (pra caralho!). Felicitações neste dia e em todos os nossos dias. Do seu filho liso e enrolado...Gilberto Junior...

11 dezembro, 2009

Pensamentos curtos...


Vontade de um abraço (Mudanças...)

Estranho ver como as coisas mudaram e mudarão sem eu estar por perto para acompanhar. Sinto-me feliz em saber das novidades, e de que o tempo passa não apenas para mim na Suíça. Mesmo sabendo que as coisas serão bem parecidas num contexto geral, tenho ciência de que as coisas mudaram muito, para com algumas pessoas. O mundo não parou porque vim para a Europa, muito pelo contrário, são novidades atrás de novidades. Coisas que talvez ocorreriam com a minha presença aí, já que não interfiro diretamente nas vidas dos meus amigos, e da minha família também. É legal ter tal sentimento, embora às vezes me corroa por dentro com vontade de cobrar, parabenizar, abraçar e até simplesmente ouvir algumas vozes que no momento me parecem extremamente doces, como o canto dos pássaros que ouvia quando criança. Ao ligar pra dar os parabéns para duas amigas minhas, e ouvir suas vozes mesmo que tenha sido por poucos minutos ou até mesmo segundos, pareciam acordar o meu lado emocional. Parecia ter sido acalentado sem alguma explicação racional e lógica para o meu ceticismo. É até bom descobrir que tenho um coração...Mas já dizia Fagner: “Dividido entre a esperança e a razão”. Vontade de ganhar um abraço verdadeiro... Voilà...


Meio bossa nova e rock'n roll.


Umas estranhas sensações tomaram conta de mim por esses dias. Sinto-me envelhecido, entorpecido e admirado. Como diria Cazuza estou meio bossa nova e roac’n roll. Vejo como se o tempo passasse e eu não o acompanha-se. Sinto me triste, muito triste, mas não deixo transparecer. Pela primeira vez senti saudades do Brasil de verdade. Não planejo mais nada. Apenas deixo as coisas acontecerem. Descobri um novo “Eu” dentro de mim. Um “Eu” mais emocional, o qual admira as folhas amarelas que caem no outono, como se estivesse dopado. Minha mente apesar disso está longe. Admiro com o par de olhos negros que tenho, mas não estou ali, mesmo estando. Perco meu tempo pensando bobagem, querendo corrigir a mim mesmo, corrigir o meu passado, que infelizmente não pode mais mudar. Estou de lua, mesmo sabendo que tenho o dom de controlar o meu humor. Vejo que então sou tão ser humano quanto todo mundo. Vejo que sou falho (muito falho). Sorrio secamente, o que estraga meu principal cartão de visitas. Choro por dentro. Queria quebrar a rotina. De alguma forma estou feliz com isso. Eu não sou diferente. Mas também não sou igual. Percebo que a vida é apenas uma piada. Não sei se rio ou se choro pela graça, ou pela falta dela. De alguma forma penso que, quando e se eu voltar, tudo será uma versão de outra coisa, que achava conhecer... Igual e diferente. Talvez já nem me importe mais com isso. “What am I, Darling?”...é nesse trecho de uma música de Damien Rice que me perco. Descubro então que eu sou um louco, ou seria normal neste mundo virado de cabeça pra baixo? No meio de tantas descobertas descubro que posso enganar a todos, mas não a mim mesmo, o que me deixa um tanto irritado. Queria controlar a quantidade de dopamina no meu cérebro e quando tivesse escrevendo loucuras como esta, injetaria doses cavalares em meu corpo, sendo assim pararia de fazer o que mais amo e odeio ao mesmo tempo: pensar. Observo numa frase que gosto muito, uma verdade bem cruel: “A ignorância é uma benção!”. É me descobrindo, que me perco mais. Ao tentar desatar os nós da minha cabeça, enrolo me cada vez mais. Sou louco?! Talvez. Falo só em silêncio, construo diálogos, que na verdade são monólogos da minha pessoa com ela mesma. Divirto-me e me canso com tanta tolice. Não estou no meu mundo embora curta muito o novo. Não sou mais o mesmo. Ainda bem!

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Revivendo o passado


Sentia-me meio pra baixo aquele dia. Despreocupado, imensamente ansioso, uma mistura de triste e feliz. De alguma forma sentia me pensativo ao extremo. Passavam filmes e músicas na minha cabeça antes de dormir. Ainda conseguia dormir. A ansiedade pegava a todos lá em casa. Mesmo assim, eu e Ecila ainda conseguíamos dormir. Meu pai me paparicava e ao mesmo tempo me botava uma pressão ímpar sobre as coisas que ainda me restavam fazer antes de viajar. Minha mãe não conseguia raciocinar direito, adiava os problemas e já não dormia mais. Minha irmã ainda conseguia dormir, mas de alguma forma ela havia mudado da água para o vinho com a minha pessoa. Abraçava-me, o que pode parecer tão simples, porém vindo de Ecila é surpreendente. Naquele dia pela primeira vez conversamos racionalmente falando. Bons papos metafísicos, falávamos de religião, e vi que pensávamos parecido quanto a este assunto. Buscava explicá-la coisas que eram muito obscuras para ela. Ela até pediu pra dançar com ela enquanto meus pais bebiam em uma festa de São João que fui forçado a ir como amigo da vez, e recusei o convite para a dança como uma espécie de vingança, pelas outras vezes que havia a tirado para dançar. Meu pai me “babava” de uma forma que dava até nos nervos. Eu o entendia, mas já estava agoniado com o tratamento. Os fogos que soltavam, tinham luzes e sons maravilhosos, mas que pra mim naquele momento não passavam de irritantes. Fiquei tocando violão e animando a festa mesmo não estando tão animado.. fazia por que aquilo me evadia. Voltamos juntos para casa num dia “feliz”. Faltavam 5 dias para minha viagem.

21 agosto, 2009

Dois ponto zero

Vinte anos de existência para o mundo que já existiria sem mim. E sinto me como se já tivesse vivido tudo, mesmo sem ter vivido praticamente nada ou nada. Sinto-me entorpecido com tudo que a vida me deu e com tudo que consegui de alguma forma por lutar, por méritos ou por pura sorte. Carece de definição. Adoro esta frase que vi no orkut de algumas amigas minhas e sei que para mim hoje ela representa muito. Não me sinto triste, mas não necessariamente muito feliz. Foi meu primeiro aniversário longe dos meus pais, da minha irmã e porque não citar, dos meus queridos amigos. Talvez seja um pouco penoso este afastamento, mas será extremamente necessário para o meu futuro profissional e pessoal. Minha forma cética de racionalizar as coisas ficou mais desenvolvida, mas nem por isso tornei me menos humano. Apenas enxergo com outros olhos o mundo em que vivemos. Minha estadia em terras hélvéticas ainda mostra meu lado sentimental. Todos os dias até o presente momento penso em algo que está a milhares de kilometros do outro lado do oceano. Meus pensamentos de voltar, confundem-se com a vontade de evoluir como profissional e como pessoa. De forma alguma estou menosprezando minha cultura e meus valores adquiridos no Brasil, pois acreditem que um brasileiro só é patriota quando saí do Brasil. Aqui procuro sorrisos de um povo frio e seco. Nós brasileiros (e somos muitos, pelo menos onde me encontro), e latinos porque não, que animamos a linda Genebra. Também busco entender como pessoas que ganham 12000 francos suíços por mês (em torno de 20.000 reais), se suícidam e são completamente infelizes. Encontro a resposta neles mesmos, que têm carros, casas nos alpes, mansões... Eles não tem com quem compartilhar todos estes imóveis e nem mesmo o dom de trazer a felicidade para eles. Se isolam. Encontrando tal resposta encontro um grande pedaço (que ainda não é todo) de um significado de uma única palavra: Amizade. E hoje de manhã simplesmente ao ler belas palavras de felicitações e sentimentos “saudosistas” de algumas pessoas fiquei feliz, e lembrei que amigos, mesmo que não possamos vê-los ou tocá-los, estarão sempre lá desejando o melhor pra você. Agradeço a todos que lembraram, aos que me fizeram chorar com belas palavras, aos que ligaram, aos que apenas disseram parabéns. Obrigado.

17 agosto, 2009

Auschwitz...


Oswieçim, que é Auschwitz em Polonês, é o nome da Cidade onde estão localizados os campos de concentração (que infelizmente não são campos de concentração e sim de extermínio). Chegamos ao museu. Você não paga nada para entrar. Ao ler as placas na entrada explicando o que era Auschwitz, SS e os “habitantes” do local, você já começa a ficar chocado. Entramos no museu (que é o próprio campo de concentração). Seu humor já modifica naturalmente o que é perceptível nas fotos que tirei lá. Cada atrocidade comentada nas placas explicativas em cada local. Você imagina o sofrimento das pessoas. Logo na entrada se via uma casa onde a SS instalava um palco com atrações músicais para reunir os judeus e ficar mais fácil a contagem. Eram selecionados ali apenas os homens mais fortes que represntavam apenas 20% dos judeus para o trabalho forçado. O que restava do montante seguia direto para o banho de desinfectação (cãmara de gás) onde tinham seus pertences recolhidos, e suas cabeças raspadas. Entravam na câmara de gás (a qual eu tive “coragem” e entrei) morriam ali sem poder nada fazer. Após mortos tinham anéis e dentes de ouro arrancados e isso virava tesouro para o FDP do terceiro Reich. Dentro da mesma câmara seguiam para uma sala onde os corpos eram cremados. Tudo com a mais perfeita organização e naturalidade o que me deixou ainda mais chocados. Depois de cremados o pó dos corpos assim como alguns ossos que ainda sobravam (pois o processo tinha que ser rápido, pois chegava com uma rapidez inacreditável outra leva de judeus para serem exterminados) eram levados para cemitérios fantasmas em cidades próximas na Polônia. Tudo isso me já havia me chocado. Depois que saímos da câmara de gás o silêncio que já reinava se fazia absoluto. Achamos que nossa visita havia encerrado quando nos deparamos com outras salas (antigos dormitórios) estavam abertos. Cada prédio deste, tinha um tema como exilados de cada país, guerra na Polônia, condições de vida dos judeus, histórias dos judeus, torturas, provas do extermínio entre outras. Tudo com fotos e detalhado. Tudo explicado por escrito em inglês e polônes e hebraíco. O que mais me chocou além da camara de gás foram as salas da prova do extermínio, da tortura e da guerra na Polônia. Na primeira supracitada, havia fotos, fichas, malas, roupas, sapatos, panelas, óculos e outros bens dos judeus. Isso por si só já choca, quem dirá na última sala deste prédio onde simplesmente encontrei parte do cabelo que foi raspado da galera. Um misto de horror com náuseas me expulsou daquela sala. Na sala da tortura tinha fotos e quadros detalhando a vida dos que lá aguardavam pela execução, que tinha fotos de pessoas desnutridas por fome, relatos de humilhação (como transar com vacas, serem banhados de água gelada e saírem durante o rigoroso inverno, exposição dos corpos de pessoas que tentavam fugir entre tantas) e do trabalho forçado que eles faziam. E mais uma vez isso não é o que mais choca. Tem fotos das atrocidades cometidas por médicos nazistas como por exemplo trocar os olhos de pessoas, trocar o cérebro, e até ossos que não matavam as pessoas mas as deixavam aleijadas para toda a vida(ou o resto de vida que ainda os pertencia). E na parte do museu que relatava a guerra na Polônia mostra os massacres contra o povo que nada tinha haver com a germanização imposta por Hitler e eram exterminados com fuzilamento, mortes por fome e doenças. Nesta sala tinha ainda frases ditas pelo grande FDP dizendo que o alemão que tivesse pena (fosse simplesmente humano) seria condenado a ser tratado como um polônes. No corredor de saída vi os uniformes dos “condenados” a morte pendirados por linhas e por estruturas de ferro dentro do próprio uniforme o que aparentava que eles estivessem marchando para a morte. E o pior é que em todos as salas e em todos os prédios tem fotos de todos os condenados a morte pelo fürher. Saí já chocado do museu Auschwitz. Entrei no carro e vimos pessoas se informando sobre Birkenau. Birkenau é um segundo campo de concentração afastado da cidade 4 kms. Ele é infinitamente maior e infinamente pior do que Auschwitz. As pessoas após descerem do trêm já eram selecionadas e levadas para o banho da morte. As condições de vida ainda eram piores pois ao invés de prédios as pessoas viviam em cabanas de madeira alojadas em pequenos armários de tijolos com 1 metro de altura, 1,8 m de comprimento e 2 de largura. Um espaço que considero mínimo para uma pessoa era utilizado para no mínimo 4 pessoas e que eu apenas entrei mas não consegui resisti ao forte odor que tinha no local. Além do odor as condições de higiene eram mínimas ou não existiam. Os banheiros eram pequenos buracos alojados no cimento onde milhares de pessoas utilizavam. Os armários onde as pessoas dormiam eram de palha, onde a ploriferação de ratos e baratas era absurda. Tirei algumas fotos e sai rapidamente do local sem não antes pensar nos judeus que ali viveram, sofreram e morreram.


Penso agora quanto vale uma vida humana, e se somos realmente humanos. Penso que nunca mais serei o mesmo após ver do que o homem é capaz, e me pergunto onde vamos parar. Reflitamos!


Gilberto Junior

13 agosto, 2009

Dia dos pais! (Uma carta pra ele!)


Olá pai. Talvez esta seja a primeira vez (não sei se única ou última) que vou passar o dia dos pais longe do senhor, como me sinto por isso? Diria mal pois gostaria mais do que nunca te dar um abraço de dia dos pais. Talvez só percebamos a falta dos nossos entes querido quando estes estão longes e impossibilitados de vermos. Como começar um texto para um pai que diria ser o melhor pai do mundo. Talvez o senhor nem saiba mas tenho uma admiração pelo senhor que não tenho nem por mim, nem por mainha (que o senhor incoscientemente diz que gosto mais dela) e nem por Pinha. Pra mim o senhor é mais que um exemplo de vida. Gostaria de agradecer imensamente pelo carinho (mesmo que um pouco frio de ambas as partes), da educação, da instrução, da ajuda financeira (diria que foi mais do que uma ajuda e sim um esforço que possibilitou que eu esteja estudando na Europa agora) e por tudo que o senhor me ensinou e me orgulhou de ser. Mesmo que tenhamos diferenças gritantes que quebrem a perfeição que nunca existiu (a perfeição não existe nós que a criamos). Por exemplo o fato do senhor ser rubronegro (rindo a toa pois o Sportiminho tá na lanterna!) e eu ser alvirrubro (acredite que isso não é culpa de Flávio e que este último não soltará gracinhas quando eu voltar pois ele vai ouvir umas coisinhas de minha parte ou eu não me chamo Gilberto Junior.) , o fato de eu não ser seu advogado dos sonhos e ser apenas mais um professor de línguas, o fato de um dirigir perfeitamente e o outro ser apenas um simples condutor ou até o fato de eu falar línguas estrangeiras e tocar violão que é uma coisa que eu sei que o senhor se orgulha mesmo que um pouco mais de mim por isso. Diferenças simplesmente existem, mas não alteram o fato de você ser meu ídolo maior. O senhor não sabe o quão grande você é pra mim e para as pessoas que o rodeam. De Baía Formosa para o mundo. Saiba que mesmo com o pouco contato diário ou semanal visto que quase não nos viamos na semana, são os que me fazem mais falta até agora. Saiba que seu simples professor aqui em Genebra se orgulha muito e a cada dia mais do pai que tem. Saiba que te amo, não pela obrigação de um filho amar um pai e sim por ter motivos para tal. Amo-te não esquece disso. E lembre se o meu maior orgulho é carregar seu nome comigo acrescido de um Junior (sem acento). Beijos Painho e te amo.

Amo, gosto ou simplesmente suporto!



Desde que recebi a notícia de que iria pra Suíça nunca acreditei que iria. Tolice profunda ou era apenas uma forma tola de adiar o meu sofrimento por me afastar temporariamente ou até permanentemente de pessoas que amo, gosto ou até suporto. Engraçado que hoje faltam 8 dias apenas para a data de meu embarque. E eu que era a favor do pensamento de que as pessoas deviam saber que eu ia viajar, e não fingirem que tudo estava normal e depois simplesmente aceitar a minha partida, agi desta forma. A ficha as vezes caia. Mas na maioria dos dias mesmo este assunto sendo abordado com uma freqüência digna de uma notícia bombástica do plantão da globo, eu agia como se esta data nunca fosse chegar. Agia diferente do meu pensamento. Quando fazia alguma coisa que me lembrava diretamente a viagem,(como por exemplo, tirar o passaporte ou comprar as passagens) batia uma espécie de tristeza, de um saudosismo antecipado que me deixava em profunda depressão. E esses dias foram passando. As férias talvez me ajudaram um pouco ,do ponto de vista do afastamento diário que tinha com as pessoas da minha faculdade. Mas de alguma forma, ainda penso que se estivesse em aulas, poderia ter vivido mais com essas pessoas maravilhosas. Alguns pensariam que é melhor assim, pelo fato de sofrer menos, mas eu penso que cada hora vivida próxima das pessoas que eu amo, gosto e suporto, são válidas, independente da separação, que nos deixará triste por um único momento. De alguma forma o tempo encolheu bruscamente e hoje vejo tento e com este afastamento consigo enxergar pontos positivos nesta viagem que outrora não via. Vejo meus pais já ansiosos cada um a sua maneira. Minha mãe fala na viagem a toda hora e já está preocupada, não consegue dormir bem e pensa no fator se eu não voltar. Meu pai, ri da minha mãe dizendo que ela vai morrer de saudades e que vai chorar todos os dias, tentando de alguma forma desviar a falta que farei pra ele. De alguma forma eu sei que ele quem mais sentirá falta de mim aqui em casa. Não por sermos muito unidos, mas pelo simples fato de que ele apenas disfarça a frieza de um grande coração que ele tem. Minha irmã, que diz me odiar e que diz ter colocado chiclete na cruz por me ter como irmão, já chora se toco no assunto viagem, me consola e me faz carinho ou simplesmente retribui quando antes dava patadas. Até a gata já percebeu. Negona me aproveita mais e me pede carinho ultimamente (a mesma nunca pede carinho a não ser quando quer comida). Já eu apenas espero a viagem me corroendo por dentro e normal por fora, afinal não se pode reclamar do sonho que tenho desde pequeno de ir a Suiça, e nem ficar mal demais pelo pesadelo de afastar-me destas pessoas que AMO, GOSTO OU SIMPLESMENTE SUPORTO!

20 junho, 2009

Crônica do Fontes

São exatamente 6:49 da manhã do dia 19/05/09. Eu não entendo o por que ou até mesmo se há uma explicação racional para eu estar acordado e digitando estas palavras. Talvez não haja motivos ou razões para tal fato apenas há emoção. Acordei a princípio com frio e mesmo com os dois lençóis não consegui pegar o embalo de um sono novamente. Talvez por que ontem meu emocional tenha sido abalado novamente. Talvez por que hoje eu compre ou agende a data do meu embarque para Genebra. Ou simplesmente por perder o sono e ir ver como é a vida de quem acorda as 5:00. Estranho primeiramente o silêncio às vezes quebrado por galos cantando, junto a pássaros e as vezes som de pombos voando pra se proteger da chuva. Não precisei nem olhar a janela pra perceber o quanto de vida já há as 5 horas da matina. Tomei coragem e levantei com os olhos mais uma vez cheios de lágrimas ao acordar. Acho feio chorar na frente dos outros por que pra mim é um sinal de fraqueza. Choro só. Fui ao banheiro olhei meu rosto inchado e com os olhos vermelhos característicos de quem acabara de chorar. Lavei meu rosto e fui deitar no sofá. Estranho que minha gata também estranhando o fato de me ver de pé aquela hora da manhã foi ao meu encontro, deitou ao meu lado a princípio sem interesse de chupar o dedo (Mania que ela tem, pois ela foi tirada do peito). Fiz carinho enquanto ela me olhava e depois ela virou de costas e ainda fazendo carinho percebi que ela “ronronava”. Dei um leve sorriso. Voltei ao quarto para pegar um lençol e me cobrir. Não estou acostumado com a temperatura desta hora da manhã. Cobri-me e tentei cochilar, mas uma espécie de saudade futura começou a me assolar. Lembrei de algumas pessoas que estão diariamente ao meu redor. De como essas pessoas talvez nem saibam o quão importante elas são. Pensei desde a primeira pessoa do ônibus que me leva a Nazaré até ao meu “irmão” que também vai neste busão. Pensava “nela” também. Lágrimas voltaram a rolar sobre o meu rosto. Pensando que por um mês terei que curtir essas pessoas intensamente. Que quero ter lembranças mais que eternas delas. Por exemplo, as lembranças das tagarelices legais, de Clarissa que chamava de animadora da parada, mas que dormia logo que sentava no busão, de Sérgio o presidente da oposição que aprendi a respeitar com o tempo. O quase sério e as vezes confuso e sempre apaixonado Josemir. Como os sorrisos de Flávia e Suzaninha que mal falo no busão, mas que ganhava ao embarcar no coletivo. Como a cara de poucos amigos de Ben Hur que deve ser legal, mas nunca trocamos uma idéia. A cara fechada de Késia que sempre esconde o belo sorriso que ela tem. O primeiro aperto de mão que ofereço ao entrar no busão ao meu amigo Osvaldo, vulgo Timbalada. Lembro também de acenar de leve a com a mão para Érika e Leonaria. Está última pegava o busão na mesma parada que eu, mas mudou-se neste meu último mês.Tinha Lane sempre nos cobrando independente do dia. Do primeiro sorriso de morder as orelhas, que era retribuído igualmente por Lívia e Mirelle. Do “gato selvagem” de Pri a me ver com ansiedade para ver Clarissa também. Do belo sorriso recebido em troca do carinho na cabeça que dava em Marcinha. Do sorriso amarelo e engraçado de Marcella acompanhado de uma pergunta de como estava geralmente. Do véi de Aline que sentava ao lado de Malu que era uma pessoa que de alguma forma marcou e espero que marque ainda mais a minha vida. De Luiz a quem chamava de Bahuan, sempre estudando fichas independentemente do dia ou se era semana de prova e que sentava ao lado de Magaiver que sempre dormia de boca aberta quando não estava estudando também. De Salomão sempre me chamando carinhosamente de Douguinho. Lembrança de Ednardo com suas dancinhas e suas palhaçadas de sempre, e falando em dancinhas também lembrarei das coreografias de pagode de Bruno Oião!. Lembro de Ivan ajeitando o cabelo e a barba com aquela modéstia de Ivan. Na sequência vinha Tati que sempre me dava um belo sorriso e que tinha uma característica marcante que era o perfume e Eugênio que era temido por muita gente em Nazaré inclusive por mim, mas que era uma pessoa maravilhosa comigo e que mudou o medo por respeito. Vinham nas cadeiras de trás Alemão que me lembrarei pela paixão pelo Glorioso Clube Náutico Capibaribe e Eliza a qual estudei na 7ª série mas só vim a ter conversas de cunho interessante ao entrar na faculdade. Mais atrás cumprimentava com um beijo nas mãos, a bela e por que não adormecida Suzanny. Mais atrás tinha Lorena que chamava de doideira e que dava apenas um boa noite, pois ela era muito mas muito fechada. Vinha Charliton depois, que só por ter um nome desses já deveria ser exclusivo. Coronel, sempre falando geralmente com Eduardo e Bené os quais interrompia pra apertar a mão. Eduardo se caracterizava pela inteligência política e pela cara de safado que fazia ao apertar minha bunda rindo, e Bené chamava a atenção por ser um tipo diferente, mas sem chegar a ser estranho (Talvez sua particularidade fosse a meinha azul de estrelinha que guardava seu celular). Ainda tinha Sanderson que apertava minha mão bem forte e que gostava muito, Julio que conhecia mais das loucuras de congressos, e Renata uma ruiva de belos olhos claros que sempre sorria pra mim e me dava boa noite. Depois já sentado no meu lugar ao lado de Marcella, subiam Talles o que me dava vontade de rir só em olhar pra ele. Seu Lula, que sempre apertava minha mão e era o cara mais invocado de Naza, Anatália que sempre me dava um pequeno sorriso acompanhado de um aceno. Subia logo após eles Daisy minha companheira de sala no ônibus sempre me dando um “boa noite” com atenção especial. Tinha ainda uns feras estranhos, Iraquitan que era super simpático comigo, mas era um tanto louco, tinha Elcimar o Bozo, que sempre apertava minha mão e eu sempre mandava junto com os caras ele abraçar o pai, tinha Dalton que sempre vestia preto e fumava muito, uma fera de Biologia que nem sei o nome, tinha uma bela loira que sempre me sorria com uma simpatia impar para ilustres desconhecidos. Enfim, sentirei saudades da vossa Cia diária. Abraço a galera do Fontes!