Mãe
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Tem que ver esse vídeo...!
beijos amo-te
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O tempo passa as idéias mudam e isso me deixa um tanto feliz. Meu mais novo hobby é escutar música e olhar para o horizonte do décimo quarto andar. A vista nem é tão mais bela como no verão, e isso é apenas quando o vidro não está embaçado. Vejo fotos como nunca antes. Sorrio de lado ao ver meu sorriso verdadeiro das fotos em que era criança. Em que não me preocupava com nada e que tudo estava certo. Queria ser uma criança agora. Fazer o tempo voltar. Rir sem saber o porquê. Nunca olhei tanto fotos. Vejo com carinho todas as pessoas que marcaram minha vida de alguma forma. Tento me lembrar o porquê daqueles sorrisos. Uns forçados e outros nem tanto. Fotografias são momentos eternizados. Vejo uma magia nisso agora que não via antes. A distância nos faz enxergar o mundo de outra forma. O que não posso mais abraçar, me faz feliz nem que seja numa simples fotografia. E assim passo o tempo até aparecer uma coisa que ocupe o meu cérebro. Reflito tanto que chego a lugar nenhum... Lembro que o melhor futuro é o presente...Mas reflito que só o passado me diz quem eu sou. Quero corrigir alguns erros. Quero mudar meu futuro. Quero ser alguém melhor. Ainda sou bastante falho. Quero mudar o presente já que o passado foi marcado. Assim penso que serei feliz num futuro. Pelo menos buscarei a felicidade escondida. Devo encontrá-la em algum lugar, como em algum dos sorrisos daquelas fotos. Definitivamente preciso escutar Radiohead. Faz-me viajar mais, obviamente sem sair do lugar. Enquanto isso nessas viagens, eu me descubro. Ou melhor tento me descobrir!

Era uma segunda feira, dia primeiro de fevereiro do corrente ano. Acabara de largar e me dirigia a um ponto ônibus. Ligava pro meu primo e não recebia resposta nas chamadas. Acabei decidindo a ir então para a casa de tia Gorda, com quem havia combinado poucos minutos antes. Coloco o fone de ouvido e as músicas se alternam no meu celular. Tava meio pensativo naquele dia e lembro nitidamente que escutava Radiohead. Em algum momento do trajeto, o som da música é interrompido pelo toque do celular. Era meu primo perguntando se já tinha largado, dizendo que estava saindo do McDonalds e estava indo concluir a mudança juntamente com o Anderson (Outro cara com quem moramos.) Disse então que iria os ver. Desci do busão 7 na parada seguinte. Já estava em Rive. Lentamente caminho em direção a parada de ônibus que se localiza em frente ao McDô. Fico indeciso entre comer um McChicken e ir direto pra casa mas ao olhar o painel, vi que meu ônibus passaria em instantes. Resolvi ir então pra casa sem rangar mesmo. Subo no 7. Escuto minha música e fico pensando besteira. Uma parada depois, em Metropole, o coletivo para e os passageiros descem e sobem. Sentado na última cadeira, observo um senhor, com aproximadamente seus 45 anos, cabelo estilo anos oitenta, uma jaqueta de couro, com tirinhas também em couro nas mangas que lembrava um Cowboy ou um Motoqueiro, com um violão guardado dentro de uma capa nas costas, e com uma lata de cerveja. Altamente embriagado, ficou tentando abrir a porta sem apertar o botão que faz com que ela abra pelo lado de fora. Ele procurava onde estavam os botões que abrem as portas, que nos novos TPGS ficam ao lado da porta com uma luz que fica piscando. Naquele estado talvez não tivesse enxergado. O motorista ia partir quando ele conseguiu abrir a porta para a tristeza dos passageiros sóbrios e cansados que ali se encontravam. Sentou-se ao lado de uma garotinha ruiva que temia do que um homem naquele estado fosse capaz. Disse-lhe boa noite e ela respondeu com um frio e seco boa noite. Olhou para trás e me viu sentado analisando a situação. Consegui segurar o riso, assim como a mulher que estava sentada de frente para mim. O bêbado queria conversar, chamar atenção, mas todos os ignoravam. Todos que subiam no busão passavam por ele e logo se distanciavam para evitar irritações. Insistentemente continuava a dar boa noite a quem entrava naquele bus. Uma senhora sobe no veículo, senta-se de frente pra ele. Ela era morena, alta e bonita para uma senhora de seus 40 e poucos anos. O nosso grande protagonista a diz em um francês embriagado um boa noite, que para minha surpresa é respondido com um outro boa noite seguido de um sorriso. Ele diz que hoje está frio e que não gosta desse clima. Ela confirma o que ele diz e continua dizendo que não gosta de frio, mas que já estava acostumada a viver no frio de Genebra. Ele disse que teve que se acostumar e ela diz que de onde ela vinha era a mesma coisa praticamente (Ela vinha do Kosovo se não me engano!). O bebum começara a ganhar uma conversa agradável. Ela sempre sorridente continua dando atenção e puxando assunto com o carinha. Assunto vai, assunto vem, falaram de amigos, família, saudade de casa, davam gargalhadas juntos e chegaram até a falar de cachaça. Ele disse que era bom beber e ela concordou com um sorriso sincero. A ruivinha que estava sentada ao lado do nosso nobre herói parte e ele já nem dá mais atenção àquela que queria irritar. Chega então a hora da Kosova tomar seu rumo e descer também. O bebo levanta e estica a mão para cumprimentá-la. Ela cumprimenta por um bom tempo e meio que até deu um abraço no figura lá. Ao descer fica segurando o botão que abre a porta e diz: “Allez-y! vous n’arrêtez pas de vivre et en s’amusant, la vie c’est trop courte...faites la fête...Il faut s’amuser..Bonne soirée. À la prochaîne ! »Tradução : Vamos lá...Não pare de viver e de se divertir, a vida é muito curta, faça a festa...é preciso se divertir...Bom descanso e até a próxima. O bebo agradeceu e passou o resto da viagem quieto rindo e olhando o resto da paisagem congelada naquele dia. Eu ria por dentro e refletia nas palavras sábias daquela mulher. Fiquei viajando, rindo e feliz com a lição de vida que tive naquela noite. Já dizia algum sábio e bêbado de carteirinha: “Nunca fiz amigos bebendo leite!”. Até breve.
P.S: Mas ao beber, lembre-se também do seguinte ditado: O orifício circular corrugado, localizado na parte ínfero-lombar da região glútea de um indivíduo em alto grau etílico, deixa de estar em consonância com os ditames referentes ao direito individual de propriedade. (Cu De Bêbado Não Tem Dono)

Estranho ver como as coisas mudaram e mudarão sem eu estar por perto para acompanhar. Sinto-me feliz em saber das novidades, e de que o tempo passa não apenas para mim na Suíça. Mesmo sabendo que as coisas serão bem parecidas num contexto geral, tenho ciência de que as coisas mudaram muito, para com algumas pessoas. O mundo não parou porque vim para a Europa, muito pelo contrário, são novidades atrás de novidades. Coisas que talvez ocorreriam com a minha presença aí, já que não interfiro diretamente nas vidas dos meus amigos, e da minha família também. É legal ter tal sentimento, embora às vezes me corroa por dentro com vontade de cobrar, parabenizar, abraçar e até simplesmente ouvir algumas vozes que no momento me parecem extremamente doces, como o canto dos pássaros que ouvia quando criança. Ao ligar pra dar os parabéns para duas amigas minhas, e ouvir suas vozes mesmo que tenha sido por poucos minutos ou até mesmo segundos, pareciam acordar o meu lado emocional. Parecia ter sido acalentado sem alguma explicação racional e lógica para o meu ceticismo. É até bom descobrir que tenho um coração...Mas já dizia Fagner: “Dividido entre a esperança e a razão”. Vontade de ganhar um abraço verdadeiro... Voilà...
Meio bossa nova e rock'n roll.
Umas estranhas sensações tomaram conta de mim por esses dias. Sinto-me envelhecido, entorpecido e admirado. Como diria Cazuza estou meio bossa nova e roac’n roll. Vejo como se o tempo passasse e eu não o acompanha-se. Sinto me triste, muito triste, mas não deixo transparecer. Pela primeira vez senti saudades do Brasil de verdade. Não planejo mais nada. Apenas deixo as coisas acontecerem. Descobri um novo “Eu” dentro de mim. Um “Eu” mais emocional, o qual admira as folhas amarelas que caem no outono, como se estivesse dopado. Minha mente apesar disso está longe. Admiro com o par de olhos negros que tenho, mas não estou ali, mesmo estando. Perco meu tempo pensando bobagem, querendo corrigir a mim mesmo, corrigir o meu passado, que infelizmente não pode mais mudar. Estou de lua, mesmo sabendo que tenho o dom de controlar o meu humor. Vejo que então sou tão ser humano quanto todo mundo. Vejo que sou falho (muito falho). Sorrio secamente, o que estraga meu principal cartão de visitas. Choro por dentro. Queria quebrar a rotina. De alguma forma estou feliz com isso. Eu não sou diferente. Mas também não sou igual. Percebo que a vida é apenas uma piada. Não sei se rio ou se choro pela graça, ou pela falta dela. De alguma forma penso que, quando e se eu voltar, tudo será uma versão de outra coisa, que achava conhecer... Igual e diferente. Talvez já nem me importe mais com isso. “What am I, Darling?”...é nesse trecho de uma música de Damien Rice que me perco. Descubro então que eu sou um louco, ou seria normal neste mundo virado de cabeça pra baixo? No meio de tantas descobertas descubro que posso enganar a todos, mas não a mim mesmo, o que me deixa um tanto irritado. Queria controlar a quantidade de dopamina no meu cérebro e quando tivesse escrevendo loucuras como esta, injetaria doses cavalares em meu corpo, sendo assim pararia de fazer o que mais amo e odeio ao mesmo tempo: pensar. Observo numa frase que gosto muito, uma verdade bem cruel: “A ignorância é uma benção!”. É me descobrindo, que me perco mais. Ao tentar desatar os nós da minha cabeça, enrolo me cada vez mais. Sou louco?! Talvez. Falo só em silêncio, construo diálogos, que na verdade são monólogos da minha pessoa com ela mesma. Divirto-me e me canso com tanta tolice. Não estou no meu mundo embora curta muito o novo. Não sou mais o mesmo. Ainda bem!
Vinte anos de existência para o mundo que já existiria sem mim. E sinto me como se já tivesse vivido tudo, mesmo sem ter vivido praticamente nada ou nada. Sinto-me entorpecido com tudo que a vida me deu e com tudo que consegui de alguma forma por lutar, por méritos ou por pura sorte. Carece de definição. Adoro esta frase que vi no orkut de algumas amigas minhas e sei que para mim hoje ela representa muito. Não me sinto triste, mas não necessariamente muito feliz. Foi meu primeiro aniversário longe dos meus pais, da minha irmã e porque não citar, dos meus queridos amigos. Talvez seja um pouco penoso este afastamento, mas será extremamente necessário para o meu futuro profissional e pessoal. Minha forma cética de racionalizar as coisas ficou mais desenvolvida, mas nem por isso tornei me menos humano. Apenas enxergo com outros olhos o mundo em que vivemos. Minha estadia em terras hélvéticas ainda mostra meu lado sentimental. Todos os dias até o presente momento penso em algo que está a milhares de kilometros do outro lado do oceano. Meus pensamentos de voltar, confundem-se com a vontade de evoluir como profissional e como pessoa. De forma alguma estou menosprezando minha cultura e meus valores adquiridos no Brasil, pois acreditem que um brasileiro só é patriota quando saí do Brasil. Aqui procuro sorrisos de um povo frio e seco. Nós brasileiros (e somos muitos, pelo menos onde me encontro), e latinos porque não, que animamos a linda Genebra. Também busco entender como pessoas que ganham 12000 francos suíços por mês (em torno de 20.000 reais), se suícidam e são completamente infelizes. Encontro a resposta neles mesmos, que têm carros, casas nos alpes, mansões... Eles não tem com quem compartilhar todos estes imóveis e nem mesmo o dom de trazer a felicidade para eles. Se isolam. Encontrando tal resposta encontro um grande pedaço (que ainda não é todo) de um significado de uma única palavra: Amizade. E hoje de manhã simplesmente ao ler belas palavras de felicitações e sentimentos “saudosistas” de algumas pessoas fiquei feliz, e lembrei que amigos, mesmo que não possamos vê-los ou tocá-los, estarão sempre lá desejando o melhor pra você. Agradeço a todos que lembraram, aos que me fizeram chorar com belas palavras, aos que ligaram, aos que apenas disseram parabéns. Obrigado.
Oswieçim, que é Auschwitz em Polonês, é o nome da Cidade onde estão localizados os campos de concentração (que infelizmente não são campos de concentração e sim de extermínio). Chegamos ao museu. Você não paga nada para entrar. Ao ler as placas na entrada explicando o que era Auschwitz, SS e os “habitantes” do local, você já começa a ficar chocado. Entramos no museu (que é o próprio campo de concentração). Seu humor já modifica naturalmente o que é perceptível nas fotos que tirei lá. Cada atrocidade comentada nas placas explicativas em cada local. Você imagina o sofrimento das pessoas. Logo na entrada se via uma casa onde a SS instalava um palco com atrações músicais para reunir os judeus e ficar mais fácil a contagem. Eram selecionados ali apenas os homens mais fortes que represntavam apenas 20% dos judeus para o trabalho forçado. O que restava do montante seguia direto para o banho de desinfectação (cãmara de gás) onde tinham seus pertences recolhidos, e suas cabeças raspadas. Entravam na câmara de gás (a qual eu tive “coragem” e entrei) morriam ali sem poder nada fazer. Após mortos tinham anéis e dentes de ouro arrancados e isso virava tesouro para o FDP do terceiro Reich. Dentro da mesma câmara seguiam para uma sala onde os corpos eram cremados. Tudo com a mais perfeita organização e naturalidade o que me deixou ainda mais chocados. Depois de cremados o pó dos corpos assim como alguns ossos que ainda sobravam (pois o processo tinha que ser rápido, pois chegava com uma rapidez inacreditável outra leva de judeus para serem exterminados) eram levados para cemitérios fantasmas em cidades próximas na Polônia. Tudo isso me já havia me chocado. Depois que saímos da câmara de gás o silêncio que já reinava se fazia absoluto. Achamos que nossa visita havia encerrado quando nos deparamos com outras salas (antigos dormitórios) estavam abertos. Cada prédio deste, tinha um tema como exilados de cada país, guerra na Polônia, condições de vida dos judeus, histórias dos judeus, torturas, provas do extermínio entre outras. Tudo com fotos e detalhado. Tudo explicado por escrito em inglês e polônes e hebraíco. O que mais me chocou além da camara de gás foram as salas da prova do extermínio, da tortura e da guerra na Polônia. Na primeira supracitada, havia fotos, fichas, malas, roupas, sapatos, panelas, óculos e outros bens dos judeus. Isso por si só já choca, quem dirá na última sala deste prédio onde simplesmente encontrei parte do cabelo que foi raspado da galera. Um misto de horror com náuseas me expulsou daquela sala. Na sala da tortura tinha fotos e quadros detalhando a vida dos que lá aguardavam pela execução, que tinha fotos de pessoas desnutridas por fome, relatos de humilhação (como transar com vacas, serem banhados de água gelada e saírem durante o rigoroso inverno, exposição dos corpos de pessoas que tentavam fugir entre tantas) e do trabalho forçado que eles faziam. E mais uma vez isso não é o que mais choca. Tem fotos das atrocidades cometidas por médicos nazistas como por exemplo trocar os olhos de pessoas, trocar o cérebro, e até ossos que não matavam as pessoas mas as deixavam aleijadas para toda a vida(ou o resto de vida que ainda os pertencia). E na parte do museu que relatava a guerra na Polônia mostra os massacres contra o povo que nada tinha haver com a germanização imposta por Hitler e eram exterminados com fuzilamento, mortes por fome e doenças. Nesta sala tinha ainda frases ditas pelo grande FDP dizendo que o alemão que tivesse pena (fosse simplesmente humano) seria condenado a ser tratado como um polônes. No corredor de saída vi os uniformes dos “condenados” a morte pendirados por linhas e por estruturas de ferro dentro do próprio uniforme o que aparentava que eles estivessem marchando para a morte. E o pior é que em todos as salas e em todos os prédios tem fotos de todos os condenados a morte pelo fürher. Saí já chocado do museu Auschwitz. Entrei no carro e vimos pessoas se informando sobre Birkenau. Birkenau é um segundo campo de concentração afastado da cidade 4 kms. Ele é infinitamente maior e infinamente pior do que Auschwitz. As pessoas após descerem do trêm já eram selecionadas e levadas para o banho da morte. As condições de vida ainda eram piores pois ao invés de prédios as pessoas viviam em cabanas de madeira alojadas em pequenos armários de tijolos com 1 metro de altura, 1,8 m de comprimento e 2 de largura. Um espaço que considero mínimo para uma pessoa era utilizado para no mínimo 4 pessoas e que eu apenas entrei mas não consegui resisti ao forte odor que tinha no local. Além do odor as condições de higiene eram mínimas ou não existiam. Os banheiros eram pequenos buracos alojados no cimento onde milhares de pessoas utilizavam. Os armários onde as pessoas dormiam eram de palha, onde a ploriferação de ratos e baratas era absurda. Tirei algumas fotos e sai rapidamente do local sem não antes pensar nos judeus que ali viveram, sofreram e morreram.
Penso agora quanto vale uma vida humana, e se somos realmente humanos. Penso que nunca mais serei o mesmo após ver do que o homem é capaz, e me pergunto onde vamos parar. Reflitamos!
Gilberto Junior

Desde que recebi a notícia de que iria pra Suíça nunca acreditei que iria. Tolice profunda ou era apenas uma forma tola de adiar o meu sofrimento por me afastar temporariamente ou até permanentemente de pessoas que amo, gosto ou até suporto. Engraçado que hoje faltam 8 dias apenas para a data de meu embarque. E eu que era a favor do pensamento de que as pessoas deviam saber que eu ia viajar, e não fingirem que tudo estava normal e depois simplesmente aceitar a minha partida, agi desta forma. A ficha as vezes caia. Mas na maioria dos dias mesmo este assunto sendo abordado com uma freqüência digna de uma notícia bombástica do plantão da globo, eu agia como se esta data nunca fosse chegar. Agia diferente do meu pensamento. Quando fazia alguma coisa que me lembrava diretamente a viagem,(como por exemplo, tirar o passaporte ou comprar as passagens) batia uma espécie de tristeza, de um saudosismo antecipado que me deixava em profunda depressão. E esses dias foram passando. As férias talvez me ajudaram um pouco ,do ponto de vista do afastamento diário que tinha com as pessoas da minha faculdade. Mas de alguma forma, ainda penso que se estivesse em aulas, poderia ter vivido mais com essas pessoas maravilhosas. Alguns pensariam que é melhor assim, pelo fato de sofrer menos, mas eu penso que cada hora vivida próxima das pessoas que eu amo, gosto e suporto, são válidas, independente da separação, que nos deixará triste por um único momento. De alguma forma o tempo encolheu bruscamente e hoje vejo tento e com este afastamento consigo enxergar pontos positivos nesta viagem que outrora não via. Vejo meus pais já ansiosos cada um a sua maneira. Minha mãe fala na viagem a toda hora e já está preocupada, não consegue dormir bem e pensa no fator se eu não voltar. Meu pai, ri da minha mãe dizendo que ela vai morrer de saudades e que vai chorar todos os dias, tentando de alguma forma desviar a falta que farei pra ele. De alguma forma eu sei que ele quem mais sentirá falta de mim aqui
São exatamente 6:49 da manhã do dia 19/05/09. Eu não entendo o por que ou até mesmo se há uma explicação racional para eu estar acordado e digitando estas palavras. Talvez não haja motivos ou razões para tal fato apenas há emoção. Acordei a princípio com frio e mesmo com os dois lençóis não consegui pegar o embalo de um sono novamente. Talvez por que ontem meu emocional tenha sido abalado novamente. Talvez por que hoje eu compre ou agende a data do meu embarque para Genebra. Ou simplesmente por perder o sono e ir ver como é a vida de quem acorda as 5:00. Estranho primeiramente o silêncio às vezes quebrado por galos cantando, junto a pássaros e as vezes som de pombos voando pra se proteger da chuva. Não precisei nem olhar a janela pra perceber o quanto de vida já há as 5 horas da matina. Tomei coragem e levantei com os olhos mais uma vez cheios de lágrimas ao acordar. Acho feio chorar na frente dos outros por que pra mim é um sinal de fraqueza. Choro só. Fui ao banheiro olhei meu rosto inchado e com os olhos vermelhos característicos de quem acabara de chorar. Lavei meu rosto e fui deitar no sofá. Estranho que minha gata também estranhando o fato de me ver de pé aquela hora da manhã foi ao meu encontro, deitou ao meu lado a princípio sem interesse de chupar o dedo (Mania que ela tem, pois ela foi tirada do peito). Fiz carinho enquanto ela me olhava e depois ela virou de costas e ainda fazendo carinho percebi que ela “ronronava”. Dei um leve sorriso. Voltei ao quarto para pegar um lençol e me cobrir. Não estou acostumado com a temperatura desta hora da manhã. Cobri-me e tentei cochilar, mas uma espécie de saudade futura começou a me assolar. Lembrei de algumas pessoas que estão diariamente ao meu redor. De como essas pessoas talvez nem saibam o quão importante elas são. Pensei desde a primeira pessoa do ônibus que me leva a Nazaré até ao meu “irmão” que também vai neste busão. Pensava “nela” também. Lágrimas voltaram a rolar sobre o meu rosto. Pensando que por um mês terei que curtir essas pessoas intensamente. Que quero ter lembranças mais que eternas delas. Por exemplo, as lembranças das tagarelices legais, de Clarissa que chamava de animadora da parada, mas que dormia logo que sentava no busão, de Sérgio o presidente da oposição que aprendi a respeitar com o tempo. O quase sério e as vezes confuso e sempre apaixonado Josemir. Como os sorrisos de Flávia e Suzaninha que mal falo no busão, mas que ganhava ao embarcar no coletivo. Como a cara de poucos amigos de Ben Hur que deve ser legal, mas nunca trocamos uma idéia. A cara fechada de Késia que sempre esconde o belo sorriso que ela tem. O primeiro aperto de mão que ofereço ao entrar no busão ao meu amigo Osvaldo, vulgo Timbalada. Lembro também de acenar de leve a com a mão para Érika e Leonaria. Está última pegava o busão na mesma parada que eu, mas mudou-se neste meu último mês.Tinha Lane sempre nos cobrando independente do dia. Do primeiro sorriso de morder as orelhas, que era retribuído igualmente por Lívia e Mirelle. Do “gato selvagem” de Pri a me ver com ansiedade para ver Clarissa também. Do belo sorriso recebido em troca do carinho na cabeça que dava
Gilberto Junior
Voltando de um fatídico jogo nos Aflitos, deparo-me com integrantes da “torcida organizada”(Desorganizada!) Fanáutico brigando entre si e com seus aliados. Confusão sem motivo na Agamenom Magalhães. O motivo?! Algo que não vai mudar em nada o resultado do jogo, e nem vai melhorar em nada nossas vidas. Acho que está é a maior tolice do ser humano. O seu instinto de querer aparecer mais que o normal e causar pânico em pessoas que não tem nada haver com tal confusão. Pura babaquice. E na maioria das vezes não são torcedores. São marginais vestidos com cores dos times dos seus corações. Chegando ao Derby, estes “Animais” (se é que posso chamá-los assim...) ainda causavam pânico a quem passava pelo local. Chegavam os ônibus que paravam e estes falsos torcedores subiam pela última janela do ônibus, sem pagar passagem e por que não assustando os passageiros comuns que estavam na traseira do coletivo. Nunca fiquei tão feliz, depois dos sustos que tomei nesta noite (tudo bem que sou meio mole!). O batalhão de choque chegou e viu a cena. Agora imagine um busão cheio de policiais (que devem amar trabalhar num domingo e num jogo de um rival, pois pela forma de como batiam nos “torcedores” eram rubro negros!). Já viu que quem entrou pela janela desceu debaixo de “cacete”, ou melhor, de cassetete. Não acho legal a polícia bater daquela forma, mas naquela hora me senti feliz com a não impunidade mesmo que momentânea que ocorrerá ali, diante dos meus olhos (momentânea, pois sei que no próximo jogo, mesmo apanhando, as figurinhas continuarão fazendo a mesma coisa). Pra coroar com chave de ouro (Ou de bosta como queiram!), subi num CDU/Boa viagem/Caxangá, que voltava da praia (Não preciso dizer que estava lotado preciso?!) e cheio de figuras do mal posso dizer assim (pra não dizer outra coisa). Quando subi no busão com minha camisa do Náutico e ultrapassei a catraca (que arrependimento!) começaram a cantar musiquinhas indecorosas com o meu time que sempre tinham como rima o meu orifício anal. O cobrador disse que não deveria ter passado a catraca (embora na sua cara estivesse estampada uma felicidade tranquilizadora por ter um novo bode expiatório para as musiquinhas, que outrora eram relacionadas ao “defecador” dele...e do motorista). Tive medo de apanhar de “torcedores” que habitavam o DETRAN e eram da uniformizada do rival do meu Clube. Contei umas quatro peças com a camisa da Jovem (Se a Fanáutico já não presta, a Jovem então só não tem flor que se cheire!). Os “passageiros” gritavam e até brigaram dentro do busão, causando pânico e histeria. Já os passageiros comuns, preferiam fingir que tudo é normal e que era apenas mais um jogo e mais uma volta conturbada do trabalho. Já eu tentava entender aquela situação embaraçosa, e tentava calcular o QI daqueles seres, tanto do ônibus, quanto os “torcedores” da Fanáutico. Não os julgava (Talvez os julgasse!) apenas tentava entender o porquê de tudo aquilo, ou achar culpados. Acabei por desistir e aceitar. Situação engraçada?! No mínimo rotineira. É só pegar um coletivo (recomendo esta linha) em dia de jogo. Talvez assim vocês me entenderão.
Pra ver um vídeo da pior tocida daqui de Recife clique no título!
abraços!
Este Natal foi um tanto quanto diferente dos Natais de outrora. Não fiquei ansioso, nem liguei pra falar a verdade. Este ano estou aguardando 2009 apenas por aguardar... Como se fosse apenas mais um ano, embora tenha certeza que vai ser muito diferente dos que já vivi. Terei responsabilidades... Mas voltando ao Natal, antes (muito antes mesmo) esperava o papai Noel com ansiedade. Arrumava meu quarto e colocava meus sapatinhos e meias na janela e tentava não dormir aguardando o bom velhinho. Sempre sem sucesso. Acordava com bons presentes na minha cama e os sapatinhos no lugar. Brincava sem a frustração de não ter conhecido o ser mais místico do Natal. Bate um saudosismo. Certo dia eu ganhei uma bicicleta de Natal e meu pai frio como sempre me quebrou o encanto e tornou real minha desconfiança da não existência do velho Noel. Meu pai chegou com a bicicleta eu abri a porta e perguntei por que papai Noel não havia esperado de Madrugada. Ele disse que quem havia comprado a bicicleta era ele. Não queria dar os méritos do seu suado trabalho para uma figura que nem existia. Apenas sorri. Bate um saudosismo desta época. Ou já mais velho quando não ganhava mais presentes de Natal, mas ficava ansioso para vestir minhas novas roupas na Ceia com a família. Ou até na época de nervosismo, na qual esperava o resultado da escola, mais exatamente o resultado da recuperação. Hoje não tenho esse tipo de preocupação. Cada vez menos ligo para o Natal. Pra falar a verdade gosto cada vez menos. Uma época capitalista, onde pessoas fingem receber um tal de espírito Natalino para serem boazinhas, por uma semana apenas. Depois voltam a realidade cruel e ninguém mais ajuda ninguém. Este Natal também foi diferente por uma besteira que senti falta... (Muita falta), minha mãe foi operada e não armamos a Árvore de Natal e nem o presépio. A casa ficou vazia, e a gata sem ter com o que brincar. Acho que a pobre da gata foi quem mais sentiu falta do Natal. Mas assim como as pessoas, ela também perdeu o encanto. Nem a ceia foi a mesma. Meu pai chegou atrasado, mas ainda sim foi o primeiro e com fome e já alterado por algumas doses de uísque, atacou o peru e o deixou sem coxas e asas (O que garantiu a piada do meu tio em chamar o peru de Peru aleijado). No fim das contas todo mundo jantou individualmente e não houve reza e nem ceia. O que pra mim era ainda podia ser o Natal, virou o encontro familiar do dia 25... mas já vale. Aguardo agora o Réveillon, onde todos fingem esquecer os problemas de 2008 e de 2009 que virão. Vou começar enchendo a cara de Sidra (A melhor parte da virada de ano). A todos um Feliz 2009 e boas festas por que não!
